O brasiliense Gilvan Neri de Farias entra para o RankBrasil – Livro dos Recordes Brasileiros pelo título de Maior Coleção de Arganéis Artesanais do Brasil. O acervo reúne 1.012 arganéis confeccionados por ele e organizados em três quadros, cada um com aproximadamente 1 metro de comprimento por 70 centímetros de altura. O primeiro quadro possui 362 arganéis, o segundo reúne 455 e o terceiro contém 195 peças.O arganel é uma peça com abertura central utilizada para prender o lenço dos Desbravadores. Para Gilvan, porém, cada exemplar vai além da função prática. Ele define o objeto como uma obra de arte e afirma que a criatividade aplicada em cada detalhe é justamente o que diferencia esta coleção dos trabalhos que já havia realizado anteriormente.
A produção começou em 1990. Inicialmente, Gilvan fazia os arganéis para presentear integrantes dos Desbravadores, mas a atividade se transformou em hobby. A ideia de organizar uma coleção surgiu quando ele percebeu que já havia acumulado uma caixa cheia de peças. Desde então, o projeto cresceu durante cerca de 35 anos.Todos os arganéis foram produzidos pelo próprio recordista. Entre os materiais utilizados estão cascas de árvores, bambu, cabaça, nó de pinho, caroço de baru, couro, sementes, resina, contas, fibra de juta, seda do olho do buriti, cordão, osso, pinha, cipó, raízes, bugalhos e endocarpos de diferentes palmeiras.
Parte desses elementos naturais é encontrada durante acampamentos e trilhas, em sementes e galhos caídos ou em sobras de podas realizadas na cidade. A coleção inclui madeiras como cedro, pequi, araçá, goiaba, jacarandá, aroeira, ipês e mangueira; sementes como macaúba, olho-de-cabra, macadâmia e açaí; além de frutos, fibras, cascas, raízes e ossos.Um dos materiais empregados é o burl, uma protuberância que se forma no tronco de algumas árvores. Pequenos fragmentos retirados dessa formação apresentam desenhos naturais e foram aproveitados na confecção de peças únicas. O trabalho artesanal envolve ferramentas como furadeira, formão, canivete e serrote.
Alguns arganéis exigem várias etapas e semanas de trabalho. É o caso dos modelos feitos com casca de taperebá, que recebem diversas demãos de verniz. Para preservar o acervo contra poeira, umidade, insetos e possíveis danos, as peças foram envernizadas e, depois de organizadas nos quadros, protegidas com plástico transparente.Entre os exemplares de maior valor sentimental está um arganel produzido há cerca de 20 anos para a filha de Gilvan, Natália, quando ela ainda participava dos Aventureiros, grupo formado por crianças de 6 a 9 anos. Outra peça de destaque foi confeccionada em osso e representa as tábuas dos Dez Mandamentos.
Funcionário público federal e morador de Brasília há 39 anos, Gilvan participa das atividades dos Desbravadores há 38 anos. Ele é investido como Líder Master Avançado e atualmente exerce a função de regional da Associação Planalto Central (APlaC). Segundo o recordista, a maior dificuldade durante a formação da coleção foi encontrar materiais compatíveis com as idéias que imaginava para cada nova peça.A família também teve papel importante no projeto. A esposa Susana acompanhou a trajetória e ajudou na organização dos quadros. Gilvan dedica o reconhecimento à família e aos Desbravadores da Divisão Sul-Americana. A coleção ainda não havia sido apresentada publicamente, pois o objetivo era aguardar a homologação antes de iniciar exposições e divulgações.
O contato permanente com elementos naturais também ampliou a relação do recordista com o meio ambiente. “Descobri que a natureza tem muito a nos ensinar. Sou bicho do mato e me sinto bem junto à natureza”, afirma. Para ele, a coleção representa uma realização pessoal por reunir duas atividades das quais gosta: o contato com a natureza e o trabalho com crianças e jovens.Este é o terceiro título de Gilvan no RankBrasil - Livro dos Recordes Brasileiros. Os dois reconhecimentos anteriores também estavam ligados ao universo dos Desbravadores e a quadros de nós. No novo recorde, o destaque está na variedade dos materiais, no trabalho manual e na individualidade de cada arganel.
Ao falar sobre a dedicação necessária para alcançar um recorde, Gilvan deixa uma mensagem aos jovens e aos Desbravadores: ocupar o tempo com atividades úteis que contribuam para a jornada da vida. Ele também resume sua persistência em um lema: “Insista, persista, resista e nunca desista”.