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Maior Mural Artístico com Tampinhas Plásticas Recicladas do Brasil

Maior Mural Artístico com Tampinhas Plásticas Recicladas do Brasil

Obra criada pelo professor Matheus Welington Picolli reúne cerca de 55 mil tampinhas e ocupa uma
área de 36,74 metros quadrados.

Quando: 30/07/2026
ID: 1752
Maior Mural Artístico com Tampinhas Plásticas Recicladas do Brasil
Fotos: Matheus Welington Picolli
O professor de Arte Matheus Welington Picolli, de Guaraniaçu, no Paraná, é o responsável pela criação do Maior Mural Artístico com Tampinhas Plásticas Recicladas do Brasil.

Batizada de “Arte que Planta Futuro”, a obra foi desenvolvida na fachada da Escola Municipal Professor Joaquim Modesto da Rosa e possui 20,4 metros de comprimento por 1,83 metro de altura, totalizando uma área artística de 36,74 metros quadrados.

Para a produção do mural, foram utilizadas aproximadamente 55 mil tampinhas plásticas recicladas, todas provenientes de embalagens que seriam descartadas. Nenhuma peça foi adquirida nova.

O projeto teve início ainda no primeiro semestre de 2025, durante o planejamento pedagógico do professor. A proposta era integrar arte, educação ambiental e participação comunitária, transformando resíduos plásticos em uma obra permanente e representativa da identidade do município.

Em setembro de 2025, a escola iniciou uma campanha de arrecadação de tampinhas. A mobilização envolveu estudantes, professores, funcionários, famílias, empresas locais e moradores de Guaraniaçu. Com a repercussão da iniciativa, doações também começaram a chegar de outras cidades brasileiras.

A montagem no muro começou em 28 de maio de 2026. Aproximadamente 200 estudantes participaram diretamente da execução, além do professor idealizador e de integrantes da equipe escolar.

As tampinhas foram separadas por cores, higienizadas e organizadas antes da aplicação. Cada peça foi fixada diretamente na parede com argamassa, seguindo a técnica de mosaico artístico. Também foram utilizados primer, tintas para acabamento, rejunte e resina protetora.

O trabalho exigiu cerca de dois meses de montagem, com algumas interrupções provocadas por períodos de chuva e frio. Uma das etapas mais trabalhosas foi a separação das milhares de tampinhas por tonalidade e a aplicação manual de cada unidade, processo que exigiu precisão, paciência e colaboração.

Arte que representa Guaraniaçu
Todo o conceito artístico, o desenho, a escolha dos elementos, a composição das cores e a coordenação da execução foram desenvolvidos por Matheus.

Antes da colocação das tampinhas, o desenho foi ampliado para a escala real e transferido manualmente para o muro, servindo como guia para a construção do mosaico.

A composição apresenta símbolos relacionados à história, à cultura, à economia e às paisagens de Guaraniaçu.

A figura indígena ocupa posição de destaque e representa os povos originários da região. Também faz referência ao nome Guaraniaçu, tradicionalmente associado às expressões “índio grande” ou “grande guerreiro”.

As araucárias representam a vegetação característica do Paraná, enquanto as montanhas, os relevos e o rio remetem às paisagens naturais e aos recursos hídricos do município.

O trator e as lavouras simbolizam a agricultura, principal atividade econômica local, valorizando o trabalho dos produtores rurais e a importância do campo para o desenvolvimento de Guaraniaçu.

Duas crianças presentes na obra representam os estudantes da rede pública de ensino. Elas simbolizam o futuro, a educação e a esperança de que a arte e a sustentabilidade possam contribuir para a formação de cidadãos mais conscientes.

Educação ambiental na prática
Além de transformar a fachada da escola, o projeto despertou uma ampla mobilização em torno da reciclagem e da destinação correta dos resíduos.

Durante a campanha, estudantes, famílias e moradores passaram a observar com maior atenção a separação de materiais recicláveis e o impacto causado pelo descarte inadequado do plástico.

Para Matheus, o principal resultado não está apenas na quantidade de tampinhas reaproveitadas, mas na mudança de comportamento provocada pelo trabalho.

“Cada uma das aproximadamente 55 mil tampinhas poderia ter sido apenas mais um resíduo
descartado. Quando unidas por um propósito comum, transformaram-se em uma obra
permanente, capaz de conscientizar, emocionar e inspirar”
, afirma.

Os estudantes demonstraram orgulho e sentimento de pertencimento ao perceberem que ajudaram a construir uma obra que permanecerá na escola e poderá ser vista pelas futuras gerações.

A repercussão ultrapassou o município e ganhou espaço em emissoras de televisão, portais de notícias e redes sociais, recebendo manifestações de educadores, gestores públicos e representantes de diferentes cidades.

Legado permanente
O mural foi projetado para permanecer definitivamente na fachada da escola. Para aumentar sua durabilidade, a obra receberá uma camada de resina protetora e deverá passar por inspeções periódicas.

Também foi protocolada na Câmara Municipal de Guaraniaçu uma proposta para que o mural seja reconhecido como Patrimônio Histórico e Cultural do Município.

Para o professor, o possível recorde representa a concretização de um sonho construído ao longo de sua trajetória na educação.

“É a demonstração de que projetos de grande impacto podem ser realizados dentro da escola pública, utilizando criatividade, planejamento e o envolvimento da comunidade”, destaca.

Já para os alunos, o reconhecimento simboliza a oportunidade de fazer parte de algo permanente. Cada estudante poderá olhar para o mural e recordar que ajudou a deixar uma marca na história da escola e da cidade.

Mais do que um resultado de grandes dimensões, o projeto “Arte que Planta Futuro” mostra que pequenas atitudes, quando somadas, podem transformar resíduos em arte, espaços em lugares de pertencimento e ideias em um legado para toda a comunidade.

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