Primeiro nu frontal do cinema brasileiro

Com o filme ‘Os Cafajestes’, exibido em 1962, ela fez história e se tornou um dos símbolos sexuais do país

16/05/2012
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Primeiro nu frontal do cinema brasileiro
Norma Aparecida Almeida Pinto Guimarães d´Áurea Bengell, mais conhecida como Norma Bengell, é a protagonista do Primeiro nu frontal do cinema brasileiro.

No ano de 1962, com o filme ‘Os Cafajestes’, a atriz fez história ao aparecer totalmente sem roupa, filmada de frente. Com a cena, ela se tornou um dos símbolos sexuais do país.

A recordista também atuou em grandes produções, como em ‘O pagador de promessas’, ganhador da Palma de Ouro, do Festival Internacional de Cinema de Cannes em 1963 e indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro, além de novelas e seriados.

Ela nasceu em 21 de fevereiro de 1935, no Rio de Janeiro. Além de atriz, já trabalhou como cineasta, produtora, cantora e compositora. No cinema, estreou em 1959, no filme ‘O Homem do Sputnik’.

Em 1996, como diretora, fez o filme ‘O guarani’, baseado na obra do romancista José de Alencar. Na televisão, representou personagens em novelas da Rede Globo, Band e Rede Record.

Na carreira de cantora, Norma Bengell fez sucesso com as músicas ‘A lua de mel na lua’ e ‘E se tens coração’(da trilha sonora do filme ‘Mulheres e milhões’). Também atuou no teatro, em diversas peças. A atriz foi casada durante 30 anos com o ator italiano Gabrielle Tinti, já falecido.

Exploração do nu
Em entrevista à revista Época, em 2010, a atriz falou sobre a exploração do nu na televisão e no cinema, destacando a diferença da época em que fez ‘Os Cafajestes’ e dos tempos atuais.

“O nu, hoje, é completamente diferente. O meu nu foi erótico e estava inserido dentro do contexto da trama. Agora, o nu é para exibir o corpo, mostrar a beleza. Mas cada um faz o que quer da vida. Quer aparecer nu, apareça. Não tenho nada contra”, disse.

Acervo pessoal
O último trabalho da atriz na TV foi no seriado ‘Toma Lá da Cá’, da Globo, em 2009. Devido a uma queda, que resultou em uma lesão na coluna, Norma Bengell está impossibilitada de trabalhar desde 2010.

Em 2012, aos 77 anos, vivendo em meio a uma crise financeira, ela colocou para vender seu acervo pessoal, que conta com filmes, CDs e documentos importantes de sua história. Ela faleceu no dia 9 de outubro de 2013, aos 78 anos.

Ditadura militar
Muito politizada e por ser de esquerda, a atriz foi presa várias vezes nos anos da ditadura militar. Na época, ela sofreu perseguição, chegou a ser sequestrada por militares e em 1971 fugiu para Paris.

Censura da nudez
Com o golpe militar em 1964 e posteriormente o decreto do AI-5 (considerado o mais duro golpe na democracia, que deu poderes quase absolutos ao regime militar), a nudez era constantemente banida de filmes.

Somente na segunda metade da década de 1970, com o enfraquecimento da ditadura, surgem as comédias eróticas com as mais variadas cenas de nudez, explorando a sexualidade.

Classificação indicativa
A nudez continuou muito presente nas décadas seguintes no cinema brasileiro, até que o nu frontal masculino também deixou de ser vulgar. Atualmente, todos os filmes produzidos no país recebem uma classificação indicativa do Ministério da Justiça e só podem ser vistos por pessoas de faixa etária específica.


Fontes: Terra, Wikipédia, Rede Record, Revista Época e Museu da TV
Redação: Fátima Pires