Primeiro transplante de coração do Brasil

Cirurgia aconteceu em 26 de maio de 1968, no Hospital das Clínicas da USP. Procedimento foi pioneiro na América Latina e um dos primeiros do mundo

27/09/2012
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Primeiro transplante de coração do Brasil
O primeiro transplante de coração do Brasil aconteceu em 26 de maio de 1968, no Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP), com uma equipe liderada pelo cirurgião Euryclides de Jesus Zerbini.

A cirurgia também foi pioneira na América Latina e uma das primeiras do mundo. Marco na medicina brasileira, o procedimento representou um grande avanço na área, além de significar esperança de vida para milhares de pessoas.

Quem recebeu o coração foi o lavrador mato-grossense João Ferreira da Cunha, conhecido como João Boiadeiro, de 23 anos, que possuía avançada doença do miocárdio e insuficiência cardíaca, estando com os dias contados. O doador foi Luis Ferreira de Barros, um jovem que morreu por atropelamento automobilístico.

Além do líder Zerbini, participaram do transplante os cirurgiões Delmont Bittencourt, Euclides Marques, Geraldo Verginelli, Miguel Marcial e Sérgio Oliveira, o cardiologista Luiz Décourt e o anestesista Ruy Gomide, entre outras pessoas.

Apesar do esforço da equipe e do procedimento ter sido uma grande conquista para a medicina, o receptor do primeiro coração transplantado do Brasil morreu de rejeição imunológica 28 dias depois. Esta era a mais temida complicação na época, o que atualmente foi praticamente superada.

Depois de três tentativas em 1968, os transplantes cardíacos ficaram suspensos por alguns anos, até que surgisse a ciclosporina – droga contra a rejeição. Somente em 1984 este tipo de cirurgia voltou a ser realizada no Instituto do Coração do Hospital das Clínicas, em São Paulo.



Pioneiro no país
Euryclides Zerbini nasceu em Guaratinguetá – SP, em 07 de maio de 1912. Ele se graduou médico em 1935, especializou-se no Hospital das Clínicas em cirurgia geral e nos Estados Unidos estudou cirurgia torácica, cardíaca e pulmonar.

O médico começou a se dedicar à cirurgia intracardíaca em 1945. Na Universidade de Minneapolis, nos EUA, foi colega de Christian Barnard, quem realizou o primeiro transplante de coração do planeta. Por sua atuação na área cardíaca, o brasileiro recebeu destaque no cenário mundial.

No Brasil, também foi professor da USP e criou o Centro de Ensino de Cirurgia Cardíaca, semente do futuro Instituto do Coração (INCOR), construído em 1975, com padrão de qualidade reconhecido no Brasil e no mundo. Depois surgiu a Fundação Zerbini, para o Desenvolvimento da Bio-Engenharia, fundada para dar suporte técnico ao INCOR.

Em 1985, aos 73 anos de idade, Zerbini voltou a ser pioneiro, ao realizar o primeiro transplante de coração do país em paciente portador do mal de Chagas. Em sua carreira, realizou mais de 40 mil cirurgias cardíacas, pessoalmente ou através de sua equipe.

Por suas contribuições na medicina, recebeu inúmeros títulos honoríficos e homenagens de governos de todo o mundo. O médico brasileiro faleceu aos 81 anos de idade, em 23 de outubro de 1993, em São Paulo. Ele trabalhou até às vésperas de sua morte, operando e realizando palestras e conferências.

Primeiro transplante do mundo
O primeiro transplante cardíaco mundial aconteceu em 03 de dezembro de 1967 e foi realizado por Christian Barnard, na África do Sul. O coração de uma mulher acidentada de 25 anos foi transplantado em Louis Washkansky, de 53.

O receptor sobreviveu apenas alguns dias e faleceu devido a uma infecção pulmonar. Um mês depois, em uma nova tentativa, Barnard aplicou o mesmo procedimento para salvar a vida do dentista Philip Blaiberg, que viveu 18 meses.

Transplantes no Brasil
O Brasil é um dos países com maior número de transplantes em geral: são em torno de 11 mil por ano, dos quais cerca de três mil são cardíacos. Apesar disto, aproximadamente 60 mil pessoas aguardam na fila para realizar algum tipo de transplante. Um dos grandes vilões é o reduzido número de doadores.

No país, o transplante de órgãos é regulamentado pela Lei 9.434, de 04 de fevereiro de 1997. Através do Sistema Nacional de Transplantes, do Ministério da Saúde, existem 47 centros capacitados distribuídos no Brasil, envolvendo 1.338 equipes preparadas para o transplante cardíaco. Com o aperfeiçoamento das técnicas, atualmente, 54% dos transplantados cardíacos sobrevivem por 10 ou mais anos.


Fontes: Estadão, TV Cultura e UOL Educação
Redação: Fátima Pires