Primeiro transplante de ovário do Brasil

Cirurgia inédita no país aconteceu na cidade de Maringá, no Paraná. Uma irmã doou parte do órgão para a outra ter a chance de engravidar

05/08/2012
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Primeiro transplante de ovário do Brasil
As gêmeas Elisa e Mariana Gerep de Moraes, de 29 anos, realizaram o primeiro transplante de ovário do Brasil. A cirurgia inédita aconteceu no Hospital e Maternidade São Marcos, na cidade de Maringá – PR, em 28 de julho de 2012.

Mariana, que é turismóloga, sofria de menopausa precoce por problemas genéticos e para ter a chance de engravidar, recebeu um pedaço do órgão da irmã Elisa, que é nutricionista. A técnica foi desenvolvida pelo pesquisador brasileiro da Universidade Federal de São Paulo, Carlos Gilberto Almodin, que é especialista em reprodução humana.

No transplante é retirada apenas uma parte do tecido germinativo do órgão saudável, implantando nos ovários com problemas, para que se recuperem. Este é justamente o diferencial da pesquisa, uma vez que outros países do mundo estavam tentando transplantar ovários inteiros, com maior chance de rejeição.

Cirurgia inédita
Depois da cirurgia que fez história no país, a expectativa é de que os ovários de Mariana se regenerem e passem a funcionar normalmente dentro de oito meses. A irmã receptora quer ter gêmeos e já escolheu até os nomes dos futuros bebês: se forem meninos vão se chamar Samuel e Isac e se forem meninas, Ana Elisa e Isabel.

A pesquisa
O transplante é resultado de uma pesquisa iniciada em 1999, para restaurar a fertilidade em mulheres que tiveram câncer e os ovários ficaram comprometidos devido aos tratamentos de quimio e/ou radioterapia.

No início, o procedimento foi desenvolvido experimentalmente em ovelhas e os resultados foram apresentados nos Estados Unidos, em 2002. No ano de 2004, o pesquisador obteve a autorização do Ministério da Saúde para a prática em humanos.

Apesar da técnica já ter sido realizada em vários países, a equipe de Almodin ainda não tinha feito o transplante no Brasil por não ter acesso a pacientes do gênero. No caso das irmãs de Maringá, Mariana teve falência ovariana precoce, perdendo toda a atividade hormonal e fertilidade, procurando ajuda do especialista. Como são gêmeas idênticas, o risco de rejeição é quase zero.

No mundo
No mundo a técnica foi realizada pela primeira vez na Bélgica, em 2005. Desde então, 12 mulheres norte-americanas e uma francesa também passaram por cirurgias semelhantes. Os procedimentos foram baseados na pesquisa brasileira e após o transplante, todas engravidaram naturalmente. A tecnologia já ganhou diversos prêmios científicos na área de reprodução assistida.


Fontes: G1 Paraná, Rede Record e Revista Crescer
Redação: Fátima Pires