Primeiro transplante multivisceral do Brasil

Considerado a cirurgia mais complexa da medicina, procedimento consiste na retirada conjunta de vários órgãos de um mesmo doador, implantados em um mesmo receptor

19/06/2012
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Primeiro transplante multivisceral do Brasil
Imagem: divulgação
O Primeiro transplante multivisceral do Brasil foi realizado em 04 de abril de 2012, no Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo.

Considerado a cirurgia mais complexa da medicina, o procedimento consiste na substituição conjunta de vários órgãos, retirados de um mesmo doador e implantados em um mesmo receptor.

No caso específico, foi transplantado ao mesmo tempo um bloco da região abdominal com cinco órgãos, totalizando quatro quilos: estômago, duodeno, intestino delgado, pâncreas e fígado.

A cirurgia contou com a atuação direta de 14 profissionais, entre cirurgiões, anestesista, instrumentadores, enfermeiros, assistentes, além de um técnico de informática, para caso de alguma máquina entrar em pane. Também estavam presentes outros quatro especialistas e dois estudantes de Medina.

O procedimento durou aproximadamente 16 horas e foi satisfatório para a equipe médica. O transplante exigiu 790 compressas, 12 tesouras, 120 pinças e a aplicação de três mil pontos.

Vítima de cirrose, a receptora foi uma mulher de 59 anos, 1,58 metro e 60 quilos. Já a doadora, uma mulher de 1,50 metros, 58 quilos, que morreu aos 39 anos em decorrência de um derrame.

Desde 1989, somente 250 transplantes multiviscerais foram feitos no mundo. De acordo com o Hospital Israelita Albert Einstein, no Brasil, estima-se que exista três a quatro pacientes a cada milhão de habitantes candidatos a esse tipo de procedimento.

Desafios
O transplante de múltiplos órgãos segue as mesmas regras das cirurgias tradicionais. Entre os desafios estão a longa duração e consequentemente o extenso período anestésico, a complexidade da implantação dos órgãos e a maior chance de rejeição por se tratar de um bloco.

Candidatos
Este tipo de transplante é uma necessidade que atinge principalmente crianças com problemas congênitos. É destinado a pacientes com doença hepática crônica com trombose das veias, que drenam o intestino e portadores de insuficiência intestinal crônica (Síndrome do Intestino Curto).

Também é direcionado a pessoas que tiveram múltiplas cirurgias abdominais, o que impede a retirada dos órgãos separadamente, e pacientes com tumor que atinge a região da raiz do mesentério, as artérias e veias, com metástase no fígado.

Primeiras experiências
O transplante multivisceral foi descrito pela primeira vez na história em 1960, com procedimento realizado em cães, na Universidade de Pittsburgh, nos EUA.

Em humanos o primeiro aconteceu em 1983, em uma menina de seis anos, que morreu depois da operação em decorrência de intensa hemorragia. Somente a partir do ano de 2000, o transplante de múltiplos órgãos deixou de ser experimental e se tornou uma opção clínica de tratamento.

Transplantes no Brasil
A realização de transplantes de órgãos começou no Brasil em 1964 e é regulamentada pela Lei 9.434, de 04 de fevereiro de 1997 e pela Lei 10.211, de 23 de março de 2001.

A doação de órgãos e tecidos pode ocorrer através de um doador vivo que tenha até o quarto grau de parentesco com o receptor, desde que não haja prejuízo para o doador, e de um doador morto, com autorização por escrito de um familiar até o segundo grau de parentesco.

Para ser um doador
Para ser um doador após a morte não é necessário deixar documento por escrito. Basta que sua família esteja ciente de sua vontade, para poder autorizar a doação.


Fontes: Hospital Israelita Albert Einstein, Revista Veja, InfoEscola, Folha UOL, Revista Viva Saúde e Ministério da Saúde
Redação: Fátima Pires