Cordel com maior número de personagens reais

Recorde pertence à Psicóloga Izabel Ceres Araújo Rosa, que escreveu uma obra contando a história de vida de seu marido, Emilton Moreira Rosa

09/06/2021
Imprimir
Cordel com maior número de personagens reais
Para escrever a obra, que tem 839 personagens reais, a recordista demorou ao todo cinco meses, com aproximadamente 300 horas de trabalho / Fotos: Pedro Jorge Araújo de Souza
A baiana Izabel Ceres Araújo Rosa entra para o RankBrasil em 2021 pelo recorde de Cordel com maior número de personagens reais. A obra, “EMILTON ROSA - A Trajetória Brilhante de um Homem Simples” traz 839 personagens verdadeiros e conta a história de vida de seu marido, que neste dia 9 de junho completa 96 anos de idade. Ela conta: “Nasci em Belmonte, Bahia em 16 de fevereiro de 1955, filha de José Pereira de Araújo e Dária Pereira de Araújo, a quinta filha de uma série de sete. Meus pais se mudaram para Goiânia, Goiás. Aprendi a ler sozinha aos cinco anos de idade, observando meu pai a ler jornais. Ia perguntando as letras e palavras e foi uma surpresa geral quando li uma frase inteira. Minha primeira professora é Maria Abadia Pereira Spínola, vive ainda em Goiânia, é amiga de Emilton e consta no cordel. Ela me aceitou antes do tempo regular, pois naquela época as crianças só entravam para a escola aos sete anos. Comecei na primeira semana de fevereiro de 1961 e fiz seis anos no dia 16. Adorava ir à escola.”

Especialista em Psicologia Organizacional e do Trabalho, a recordista afirma que sempre acreditou que o marido deveria escrever a própria biografia, por ter uma vida cheia de boas ações, conhecimentos diversificados sobre vários assuntos e inúmeros amigos ao redor do mundo.

“Ele não quer fazer a autobiografia, diz que o próprio cordel é biográfico. Eu não tinha intenção de fazer um cordel de personagens reais. A trajetória de Emilton é longa e tive que falar das pessoas que fizeram parte dela. Aconteceu”, destaca.

No início de 2015, Izabel Ceres começou a fazer uma coletânea de vários artigos de jornais e revistas sobre a vida de Emilton, homem com quem trabalha e está casada há 18 anos. “Foram coletados e encadernados 16 livros em tamanho A4, com mais de 200 folhas cada um, que foram entregues a ele em 9 de junho de 2015”.

Em março do mesmo ano, a baiana começou a fazer um acróstico, de brincadeira, e o acróstico virou um cordel com 24 páginas. “Vários amigos pediram cópias e quando mandei imprimir dois mil volumes, em julho de 2015, a obra já estava com 40 páginas”, lembra.

Izabel Ceres conta que o marido sempre gostou de oferecer o cordel às pessoas e dizia orgulhoso: “Foi minha senhora quem fez”. Há mais ou menos um ano os volumes impressos acabaram, restando apenas três cópias, as quais a baiana escondeu.

Este ano a recordista decidiu fazer uma segunda edição e em março começou a escrever para ampliar a obra. O cordel ficou pronto em 30 de abril. “Registrei na Câmara Brasileira do Livro e solicitei o ISBN (International Standard Book Number). “No total foram cinco meses escrevendo o cordel: três meses em 2015 e dois em 2021, com aproximadamente 300 horas de trabalho”.

Entre as dificuldades em escrever um cordel com personagens reais, Izabel Ceres aponta a contagem das sílabas gramaticais e das sílabas métricas, os nomes muito grandes ou difíceis de rimar e a questão ética - nem sempre se pode dizer o nome da pessoa. Ela acrescenta como dificuldade o receio de deixar de citar alguém importante. “E a pior de todas: a certeza dolorida de que sempre me esqueci de citar alguém muito querido”.

De acordo com a baiana, o recorde junto ao RankBrasil significa mostrar para o mundo o homem Emilton Rosa, uma pessoa importante, com um louvável histórico de vida e que se torna ainda maior pela humildade e singeleza. “Emilton é a bênção que Deus me concedeu, um companheiro alegre, amigo, inteligente, divertido, além de ser marido dedicado. Ele tem assunto para todo tipo de conversa e de gente, de zero a 180 anos de idade. Tornar-me recordista foi pura consequência”, destaca.

Outras obras
A recordista comenta que sempre gostou de escrever poemas. “Tenho um livro de poesias escrito ao longo dos anos, mas nunca tive coragem de publicar”, revela. Ela publicou um poema, ‘Leite e Mel’, com o qual participou do III Concurso Kelps de Poesia Falada, em junho de 1999, em Goiânia (GO). Izabel Ceres ainda ganhou um troféu pela bela interpretação desse poema por Tetê Caetano. A baiana escreveu também ‘Nobre Jornada’ um poema para os 80 anos de Emilton.

Atualmente ela mora na capital Salvador. Sempre gostou de leitura, cinema, viagens, de literatura de cordel e de repentistas. A recordista escreveu alguns cordéis pequenos ou poemas satíricos, paródias de músicas e atualmente está terminando um cordel de Santa Dulce dos Pobres.