Primeira vacina do mundo contra a esquistossomose

Depois de 30 anos de pesquisa, a Fundação Oswaldo Cruz apresentou um imunizante inédito contra a doença popularmente conhecida como barriga d’água

01/07/2012
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Primeira vacina do mundo contra a esquistossomose
A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) desenvolveu e patenteou uma vacina inédita contra a esquistossomose, doença conhecida popularmente como barriga d’água.

Depois de mais de 30 anos de pesquisa, o imunizante foi apresentado em 12 de junho de 2012, uma vez provada a eficácia e principalmente a segurança para o uso em humanos.

Além de prevenir a barriga d’água, a vacina tem potencial para evitar outros helmintos (grandes parasitas humanos) e ainda é eficaz contra a fasciolose, os verminoses que afetam o gado.

A pesquisadora Miriam Tendler, do Laboratório de Esquistossomose Experimental do Instituto Oswaldo Cruz (LEE/IOC/Fiocruz) liderou a equipe que produziu o imunizante. A primeira fase de testes clínicos aconteceu com 20 voluntários saudáveis.

Em breve será realizada a segunda etapa, com 226 indivíduos de áreas endêmicas do Brasil e da África. Outras duas fases estão previstas antes da popularização da vacina, o que deve demorar cerca de cinco anos.

Trajetória da pesquisa
A pesquisa teve início em 1975. Nos primeiros anos, cientistas identificaram o princípio ativo para o efeito farmacológico contra o parasita e na sequência, encontraram a proteína Sm14. A partir de 1990, a Fiocruz garantiu a propriedade intelectual do produto e finalmente, nos anos 2000, foi criado um modelo de industrialização e comercialização da vacina.

Antígeno Sm14
A criação da vacina contra a esquistossomose foi possível através da reconstrução da proteína Sm14, que é capaz de estimular a produção dos anticorpos. Esse antígeno é obtido a partir do próprio Schistosoma mansoni – verme causador da doença na América Latina e na África.

Esquistossomose
Considerada pela Organização Mundial de Saúde como negligenciada, a doença atinge mais de 200 milhões de pessoas no mundo e aproximadamente 2,5 milhões no Brasil, com maior incidência na região Nordeste e no Estado de Minas Gerais.

É transmitida em locais de água doce parada ou pouca correnteza, com a presença de caramujos infectados. Entre os sintomas estão dores de cabeça, enjoos, coceiras, dermatites, febre, além da dilatação do abdômen (por isto o nome barriga d’água). O tratamento é feito com medicamentos antiparasitários.


Fontes: Fundação Oswaldo Cruz, R7, Revista Veja, G1 Ciência e Saúde
Redação: Fátima Pires