Primeira mulher a digitar e organizar a Bíblia hebraica

Recorde pertence à professora da cidade de Volta Redonda (RJ), Flávia Velozo Ávila Diniz

11/01/2022
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Primeira mulher a digitar e organizar a Bíblia hebraica
Além de digitar todo o livro sagrado, a recordista identificou capítulos e versículos com números, já que em hebraico são letras / Foto: Arquivo recordista
A professora de hebraico bíblico da cidade de Volta Redonda (RJ), Flávia Velozo Ávila Diniz entra para o RankBrasil em 2022 pelo recorde de Primeira mulher a digitar e organizar a Bíblia hebraica. Além de digitar todo o livro sagrado, ela identificou capítulos e versículos com números, já que em hebraico são letras.
Atuando como professora nos últimos anos, a recordista percebeu a dificuldade dos alunos em relação ao manuseio da Bíblia hebraica, porque a organização é muito diferente da Bíblia em português. “Por isso decidi encarar o desafio para solucionar esse problema, como por exemplo, a ordem dos livros e localização de capítulos e versículos”, conta.

Natural de Barra Mansa (RJ), Flávia explica que a Bíblia hebraica é organizada em Torá, Neviim e Ketuvim (Lei, Profetas e Escritos), diferente da ordem em português, que é Pentateuco, livros históricos, poéticos, profetas maiores e profetas menores. “Diante disso, ao adquirir um volume importado, o aluno tem que se acostumar com uma ordem dos livros bem diferente do que está habituado”.
Conforme ela, outra dificuldade é a vasta gama de tipografias. As letras das Bíblias hebraicas variam muito, são desenhadas, cheias de sutilezas, ao passo que, quando o aluno usa um teclado hebraico para desenvolver suas atividades, encontra uma letra simples, clara e reta (a letra de imprensa). “Por causa disso, o aluno acaba tendo dificuldade de reconhecê-las e precisa memorizar diferentes tipos ao estudá-las”, diz.
A recordista destaca que sem sombra de dúvidas, um dos maiores obstáculos para os estudantes é a localização de capítulos e versículos. Segundo Flávia, na Bíblia hebraica a identificação ocorre única e exclusivamente por letras, onde o aluno precisa somar para encontrar um capítulo ou verso. “O Salmo 137 em hebraico é ???, uma letra vale 100, outra vale 30 e a outra vale 7, resultando em 137”, exemplifica. “O sonho de meus alunos era uma Bíblia com a identificação dos versículos por números ordinais”, lembra.

Outro ponto importante, de acordo com ela, é a localização de versículos. “A Bíblia hebraica conta o título como verso, de forma que quando o aluno quer ler um versículo específico, precisa analisar se o mesmo não se encontra um verso à frente ou no verso que antecede”.

Flávia diz que a Bíblia que ela digitou e organizou traz a solução para todos os problemas identificados acima, porque tem a mesma ordem de livros que a Bíblia em português, possui letras retas, limpas e simples, e os versículos são organizados por números ordinais, sem precisar somar letras. “Os títulos não são contados como versículos, e o texto é consonantal sem sinais diacríticos”.

Para a professora, esse trabalho facilita o estudo e acelera o aprendizado. “Escrita com os mesmos caracteres do celular, os estudantes têm um texto limpo e claro, que ajuda a identificar com mais facilidade cada letra. O feedback dos alunos é gratificante, isso não tem preço”, afirma.

Conforme ela, a conquista desse recorde é simplesmente inacreditável e inenarrável, uma alegria indescritível: “O RankBrasil é um galeria de superação, força e determinação. Para mim é uma grande honra poder fazer parte de um grupo de pessoas que superaram seus limites e venceram desafios. Estou simplesmente emocionada. Glória seja dada ao Deus de Israel”.

Dificuldades para digitar
Flávia comenta ainda que demorou pouco mais de cinco meses para digitar a Bíblia, de novembro de 2020 a abril de 2021. Segundo ela, um dos maiores desafios do projeto foi o teclado. “Precisávamos de letras hebraicas e os computadores convencionais possuem apenas caracteres em português / inglês”, diz.

A professora explica que geralmente ao baixar o teclado é preciso memorizar as letras em português relacionadas aos caracteres hebraicos. “Mas aí tivemos a ideia de instalar o teclado hebraico no tablet, ficando mais fácil de digitar já com os caracteres específicos”, finaliza.