Primeira exposição de quadros para deficientes visuais

Através do projeto ´Tocar e Sentir´, Eni D`Carvalho entra para o RankBrasil

01/10/2004
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Primeira exposição de quadros para deficientes visuais
Foto: Acervo RankBrasil
Em 1988, a mineira Eni D`Carvalho decidiu reinventar o seu percurso profissional, trabalhando com pincéis, tintas, desperdícios e telas.

Depois de algum tempo de sua estreia no campo artístico, Eni se tornou uma pintora conceituada e premiada, tanto no Brasil, como em Portugal, por criar pinturas para deficientes visuais: com imagens em relevo e bons traços.

A artista desenvolve todo um trabalho, em que suas principais preocupações se prendem com a capacidade de determinado tipo de espectador: os deficientes visuais. Eni criou este conceito após ler um artigo, onde a notícia relatava que um grupo de deficientes visuais tinha saído frustrado de uma exposição, pois não puderam tocar nas obras expostas.

"Fiquei chocada com o sucedido e achei que poderia criar para eles", diz a recordista. O projeto ´Tocar e Sentir´ pretende transformar a linguagem visual em tátil, contrariando o ´Não Toque´. Ela utiliza planos tridimensionais, texturas diferenciadas, linguagens expressionistas e descrições das telas em braile, tinta e áudio.

Sua primeira exposição ocorreu em 1999, com o tema ´Novas percepções nas artes plásticas´. Nesta estreia, lançou todos os brinquedos velhos do filho nas telas: carrinhos, soldados e super-heróis. Todos eles ganharam novas formas e leituras, misturado com cola, areia e tinta acrílica.

Em cada exposição que faz, são aproximadamente 90 apresentações individuais, tanto no Brasil, como na Europa. Ela sente a alegria do público deficiente visual, ao explorar suas novas formas táteis. "Sinto neles muita alegria. Os deficientes se sentem verdadeiramente incluídos e ninguém melhor do que eles para expressar".

A recordista elabora suas telas, muitas vezes, a partir da estética da precariedade, como uma forma de repensar a matéria abandonada pelos meios sociais. Assim, ela recicla, busca um novo alento, um novo signo, distante das tecnologias do mundo moderno.

Ao utilizar elementos da própria natureza, visa ainda despertar o espectador das artes plásticas para o paradigma da ecologia. Isto significa uma nova forma de organizar em harmonia e equilíbrio o conjunto das relações dos seres humanos entre si, com a natureza e com o seu sentido de vida neste universo.

Em prol dos deficientes visuais, a artista criou a tela com a Bandeira do Brasil, que foi entregue ao presidente Lula. Eni produziu uma versão da bandeira utilizando grãos de feijão, bolinhas de gude, milho, prato azul de ágate e uma colher.

Através deste projeto, a recordista procura explorar as potencialidades da arte como forma de comunicação e veículo de integração social, de aproximação entre pessoas e hábitos diferentes.

Redação: Aline F. Cardoso
Revisão: Fátima Pires