Primeira brasileira a ter aparelho auditivo totalmente interno

Recorde é da administradora Maria Toscano Medeiros, que passou pelo procedimento cirúrgico em fevereiro de 2012

25/12/2012
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Primeira brasileira a ter aparelho auditivo totalmente interno
Antes da cirurgia, Maria Medeiros ouvia muito baixo e sentia tonturas - Imagem: divulgação
A administradora Maria Toscano Medeiros, de 44 anos, que entra para o RankBrasil, foi a primeira brasileira a ter um aparelho auditivo totalmente implantável, sem nenhuma parte externa.

Realizada em 02 de fevereiro de 2012, a cirurgia inédita no país aconteceu no Complexo Hospitalar Edmundo Vasconcelos, em São Paulo. O otorrinolaringologista Iulo Baraúna foi o cirurgião responsável pelo procedimento.

A técnica ajuda pacientes que precisam da ajuda de um equipamento para escutar, mas não conseguem se adaptar ao tradicional. O aparelho interno funciona da mesma forma que o externo, ou seja, amplia o som que chega ao ouvido, por isso não serve para pessoas que têm surdez total.

A prótese é conhecida como Catarina G4, tem apenas 3,5 mm de espessura e até pode ser sentida com o toque da mão, mas não é visível, ficando debaixo da pele para uma melhor estética. A bateria é carregada por indução magnética e a carga para todo o dia é feita com cerca de meia hora.

Um pequeno objeto, como um ímã, é carregado por uma tomada comum e depois, em contato com o ouvido, carrega o aparelho. Outra vantagem é o controle remoto, no qual a pessoa pode desligar o equipamento por um tempo, como na hora de dormir, por exemplo.

Com vida útil de 30 anos, o Catarina G4 capta os sons ambientes por um microfone posicionado estrategicamente e os envia a um transdutor. Esse movimento mecânico permite ao paciente uma qualidade de som mais natural, quando comparado com as próteses auditivas convencionais.

O equipamento foi desenvolvido em Boulder, no Colorado, nos Estados Unidos e tem aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O implante vem sendo utilizado em vários pacientes na Europa, com excelentes resultados, tornando invisíveis os atuais aparelhos auditivos.

A recordista
Natural do Rio Grande do Norte, Maria Toscano reside na capital paulista e trabalha com música, vendendo CDs para o varejo. Além de ter que ouvir as músicas que vende, precisa se comunicar bem para fazer seus negócios e o problema de audição estava atrapalhando. Antes da cirurgia, ela ouvia muito baixo e sentia tonturas e dores de cabeça.

Capacidade de audição
De acordo com especialistas, a capacidade de audição é medida pela intensidade mínima de som que se consegue ouvir. O normal é começar a perceber o som a partir de 25 decibels. A pessoa que ouve apenas sons mais intensos que 25 decibels, mas menos que 40, têm perda auditiva leve.

Quem escuta apenas a partir de 60 decibels, têm perda moderada e a partir de 61 decibels, ela é considerada severa. No caso da pessoa que só ouve sons a partir de 80 decibels não é possível fazer a cirurgia, pois a perda de audição já é considerada grave demais e o paciente precisa ter, pelo menos, uma audição residual.


Fontes: Saúde Web e G1 Ciência e Saúde
Redação: Fátima Pires