Brasileiro a sobreviver ao maior número de paradas cardíacas

Com caso inédito na medicina, mineiro entra para o RankBasil e ganha o apelido ‘Highlander’, o guerreiro imortal

17/08/2012
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Brasileiro a sobreviver ao maior número de paradas cardíacas
O eletricista aposentado de Belo Horizonte – MG, Francisco das Xagas Silva, de 66 anos, sobreviveu a 70 paradas cardíacas e pela superação humana, entra para o RankBrasil. O caso é inédito na medicina brasileira e talvez em todo mundo, uma vez que o comum após um infarto é sofrer, no máximo, quatro paradas.

No período de apenas 12 horas, por 70 vezes o coração do mineiro parou, ou seja, aproximadamente uma vez a cada dez minutos. Em todas as vezes, ele foi reanimado e voltou à vida. À época, o aposentado fumava dois maços de cigarro por dia.

O recorde da sobrevivência ao maior número de paradas cardíacas começou com um infarto, em 31 de dezembro de 2008. A primeira aconteceu antes mesmo de chegar ao hospital. Já no pronto-socorro, a cada parada o médico atendente do SUS reanimava Francisco com massagens, choque no peito e altas doses de antiarrítmicos.

Na UTI, ele sofreu embolia pulmonar, insuficiência respiratória e infecção generalizada, ficando 15 dias em coma. Francisco resistiu bravamente. Com o coração estabilizado, foi transferido para o Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais. Lá, recebeu uma ponte de safena e três stents (espécie de mola para abrir artérias).

No período em que Francisco ficou entre a vida e a morte, de acordo com entrevista à Folha de São Paulo, o mineiro contou que se lembra apenas da sensação de estar em um navio afundando: ele pelejava para sair e não conseguia.

Após o infarto, em busca de uma vida mais saudável, o aposentado parou com os cigarros, começou a praticar exercícios físicos e adotou uma dieta saudável. Por tudo que passou, ganhou dos amigos o apelido ‘Highlander’ – o guerreiro escocês do cinema que atravessa os séculos e continua imortal.



Comprovação
A história de Francisco é comprovada na tese de doutorado da enfermeira Daniela Aparecida Morais, defendida em 2012, na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Ela pesquisou casos de paradas cardiorrespiratórias atendidos pelo SAMU (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) de Belo Horizonte, entre 2008 e 2010.

Foram 1.165 pacientes, destes, 239 encaminhados a hospitais, sendo que a maioria faleceu nas primeiras 24 horas. Além da citação na tese, o caso do eletricista também será publicado em um periódico científico europeu de referência mundial na área, além de ser apresentado em congressos de cardiologia e terapia intensiva.

Explicação
Para a família de Francisco, a explicação para o fato de ele ter sobrevivido a 70 paradas cardíacas se resume na palavra ‘milagre’. Já para o cardiologista Sergio Timerman, médico do Instituto do Coração e um dos examinadores da banca de doutorado de Daniela, a resistência do mineiro tem a ver com boa condição clínica, uma ressuscitação de alta qualidade e sorte.

Histórico de sobrevivência
O histórico de sobrevivência do aposentado, que nasceu em Salinas – MG, não se resume às 70 paradas cardíacas. Aos 17 anos, teve uma úlcera supurada e aos 26 contraiu tuberculose. Em 1999, sofreu trombose e teve que amputar o dedão do pé, e em 2004 fez uma cirurgia para retirar três tumores (benignos) na próstata, contraindo uma infecção generalizada. Ele pode não ser imortal, mas realmente é um guerreiro.


Fontes: Folha UOL, Correio Braziliense, SBT e TV Alterosa
Redação: Fátima Pires