Maior tempo batendo em um saco de boxe com socos e chutes

Com o tempo de 24 horas, 10 minutos e dois segundos, recorde pertence ao baiano Ricardo Serravalle

22/02/2020
Imprimir
Maior tempo batendo em um saco de boxe com socos e chutes
Ricardo Serravalle bate recorde ao ficar mais de 24 horas batendo em um saco de boxe com socos e chutes / Foto: Arquivo recordista
O professor de Educação Física e treinador de boxe, Ricardo Serravalle entra para o RankBrasil em 2020 pelo recorde de Maior tempo batendo em um saco de boxe com socos e chutes. O evento aconteceu em 22 de fevereiro e ele alcançou a marca de 24 horas, 10 minutos e dois segundos, com apenas cinco minutos de descanso a cada hora. Ao todo foram 123.960 golpes no saco.

Nomeado ‘Peleandoporlavida’ (‘Lutando pela vida’ em português), o desafio solidário foi realizado em benefício da ENACH. Trata-se de uma associação referência no mundo no tratamento e investigação de uma doença neurodegenerativa rara por acumulação de ferro cerebral em crianças, que não tem cura e é mortal.

“Busquei algo bem desafiador e que tivesse relação com meu trabalho como treinador e que também fizesse referência à luta diária dessas crianças e suas famílias pela vida”, destaca o baiano, que atualmente reside em Madri, na Espanha.

De acordo com ele, uma das dificuldades para a conquista do recorde foi a falta de patrocínio, apesar da visibilidade que conseguiu em emissoras de TV, rádios e jornais. “De qualquer forma recebemos muitos apoios que tornaram o evento viável”, conta.

Outro obstáculo, conforme Ricardo, foram as regras que seguiu, entre elas: não podia dar mais de três socos sem dar um chute, não podia dar mais de três chutes sem dar um soco, não podia ficar mais de dois segundos sem bater no saco.

Durante o desafio, o nutricionista Moisés Feitosa (que acompanha o baiano em todos os seus desafios) preparou uma dieta balanceada, sem saltar refeição, de acordo com as coisas que ele gosta e costuma comer. Ele comeu macarrão, pizza, sanduíche de frango e misto, batata doce, tangerinas e bananas, e bebeu principalmente água e eventualmente um isotônico e coca-cola.

Ricardo não teve muito tempo para se preparar, porque estava dando 25 aulas semanais e ao final de semana se sentia cansado. “Ainda assim tive que encontrar tempo para fazer treinos mais específicos e treinos práticos no saco, trabalhando principalmente a visualização.
O baiano comenta que seus desafios não têm por objetivo quebrar recordes, mas a validação do título pelo RankBrasil oferece autoridade na hora de buscar patrocínios. “É sempre uma satisfação saber que de alguma maneira faço parte da história dos recordes brasileiros”, destaca. “Gostaria de agradecer ao RankBrasil e a todas as pessoas e empresas que fizeram parte e contribuíram para mais esse recorde”, completa.

História de superação
Em 2009, Ricardo teve três AVCs isquêmicos e precisou colocar uma prótese no coração. Depois de três meses recuperado sofreu um grave acidente com sua perna esquerda, necessitando colocar mais cinco próteses. Isso o deixou com dores e limitações.
A experiência fez o baiano refletir sobre a vida e ele descobriu seu propósito: “Através dos valores do esporte passar a mensagem de que tudo é possível, que nunca desistam dos seus sonhos e que somos capazes de alcançar tudo que sonhamos, mas é preciso lutar e pagar o preço que for por isso”.
Desde então, uma vez por ano Ricardo realiza desafios solidários, sempre por causas ambientais e sociais. Ele também ministra palestras motivacionais no Brasil e na Europa. “De tudo, talvez seja o que mais gosto de fazer. Poder ver no rosto das pessoas que de alguma forma você conseguiu chegar ao seu coração, à sua alma e mudar para melhor algo em suas vidas. Isso não tem preço”, revela.

Boxe e outros esportes
O recordista pratica boxe desde os nove anos de idade e hoje, aos 44 anos, sempre esteve envolvido com esse esporte e outras artes marciais. “Fui oito vezes campeão baiano, quatro vezes campeão brasileiro e sul-americano”, conta.

Atualmente ele trabalha como treinador e tem uma empresa chamada Universidade do Boxe, onde ministra cursos de formação para treinadores no Brasil, utilizando seus conhecimentos somados à metodologia europeia de ensino e formação.

Sempre que tem tempo, Ricardo também gosta de praticar triathlon, natação, ciclismo, corrida e jiu-jitsu.

Outros recordes
Essa é a terceira vez que o baiano entra para o RankBrasil. Além do título no boxe, ele é recordista brasileiro pela Maior distância percorrida em piscina durante 24 horas (57,75 metros) e Maior travessia a nado em mar aberto (62,2 quilômetros).