Primeiro brasileiro a receber o Prêmio Boerma de Jornalismo

Em novembro de 2003, repórter conquistou a premiação, que é concedida pela Agência das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura

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Primeiro brasileiro a receber o Prêmio Boerma de Jornalismo
Imagem: divulgação
O repórter Marcelo Pasqualoto Canellas, que entra para o RankBrasil, foi o Primeiro brasileiro a receber o Prêmio Boerma de Jornalismo, concedido pela FAO Internacional – a Agência das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura.

A premiação foi conquistada pelo recordista em 29 de novembro de 2003, através de uma série de reportagens transmitidas pelo Jornal Nacional, sobre a fome no Brasil.

De acordo com a FAO, o repórter obteve o prêmio porque a série contribuiu na influência de futuras decisões políticas para combater a fome no país.

O prêmio Boerma de Jornalismo é entregue desde 1979, a cada dois anos, a jornalistas do mundo inteiro que se destacaram na cobertura de temas ligados aos direitos humanos e ao combate à fome. Em 2003, Canellas dividiu a premiação de US$ 10 mil com o britânico David Brought, correspondente da Agência Reuters em Roma.

Em um gesto de solidariedade, o brasileiro doou sua parte no prêmio, de US$ 5 mil, para a Associação dos Criadores de Cabra de São Sebastião do Umbuzeiro, uma entidade de trabalhadores rurais pobres do sertão da Paraíba.

A série premiada
As reportagens premiadas pela FAO foram desenvolvidas por Canellas juntamente com o repórter cinematográfico Lúcio Alves e uma equipe de Brasília. Eles viajaram por seis estados brasileiros, em busca de personagens e histórias para compor um mapa da fome no país.

Intitulada ‘Fome’, a série se tornou uma das mais premiadas da televisão brasileira. Além do Prêmio Boerma de Jornalismo, recebeu o Ayrton Senna de Jornalismo, o Barbosa Lima Sobrinho, o Imprensa Embratel, o Vladimir Herzog na categoria de documentário e a medalha ao mérito da Organização das Nações Unidas (ONU).



Carreira
Canellas nasceu em Passo Fundo – RS, em 16 de outubro de 1965. Em 1987, formou-se em Comunicação Social pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM/RS). Na TV Globo, trabalhou nas afiliadas de Santa Maria, Ribeirão Preto e do Rio de Janeiro, e fez várias reportagens para o Jornal Nacional e o Globo Repórter. Atualmente, segue como repórter especial da Rede Globo.

Coberturas especiais
O recordista realizou diversas coberturas especiais, entre elas, o período de protestos pelo impeachment do então presidente Fernando Collor de Mello, em 1990. Em 1993, na editoria Rio, fez reportagens sobre a guerra do tráfico nas favelas e participou da cobertura da chacina da Candelária.

No mesmo ano, foi para Brasília – DF para acompanhar a implantação do Plano Real. Em 1996, o repórter cobriu o massacre de trabalhadores sem terra em Eldorado dos Carajás (PA). Também se destacou pela produção de matérias sobre a exploração sexual de menores no Acre e o trabalho infantil no Nordeste.

Outros prêmios
Um dos repórteres mais premiados da televisão brasileira, Canellas ganhou três vezes o Prêmio Nuevo Periodismo, que é oferecido pela Fundação Nuevo Periodismo Iberoamericano (Fnpi), em parceria com a empresa mexicana Cemex.

Entre tantas outras premiações que recebeu, também ganhou o Grande Prêmio Sebrae de Jornalismo, por sua matéria sobre Microcrédito, o Prêmio Cidadania Mundial, o prêmio da Caixa de Jornalismo Social, e vários de Direitos Humanos de Jornalismo.

Primeiro do mundo
O primeiro do mundo a receber o prêmio Boerma de Jornalismo foi o escritor de ciência da Índia, Anil Agarwal. Ele foi premiado em 1979, com base em artigos sobre agricultura e desenvolvimento, que apareceram em publicações internacionais, como ‘The New Scientist’, ‘The Economist and People’.


Fontes: Jornal Nacional, Portal dos Jornalistas, Memória Globo e FAO
Redação: Fátima Pires