Primeira cirurgia cardíaca minimamente invasiva totalmente robotizada

No sistema inovador, o cirurgião não tem contato direto com o paciente. Ele fica em um console, manipulando os ‘braços’ do robô

19/08/2012
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Primeira cirurgia cardíaca minimamente invasiva totalmente robotizada
O Hospital Israelita Albert Einstein, de São Paulo, que entra para o RankBrasil, realizou em 15 de março de 2010 a primeira cirurgia cardíaca minimamente invasiva totalmente robotizada.

O procedimento durou seis horas e aconteceu através do sistema robótico Da Vinci, já utilizado em operações como a de próstata. Comandada pelo cirurgião cardíaco Robinson Poffo, a cirurgia teve o acompanhamento de especialistas dos EUA, país onde a equipe do hospital foi treinada.

Tecnologia inovadora, a vantagem deste tipo de cirurgia é o fato de ser menos invasiva que os procedimentos convencionais: em vez de abrir o peito do paciente com um corte de cerca de 25cm, são feitas três pequenas incisões milimétricas e um corte de apenas 2cm na região lateral do tórax.

Por estes pequenos orifícios é que entram os instrumentos que vão realizar a intervenção cirúrgica, como pinças, tesouras, afastadores e aspiradores, tudo através do sistema robótico. Desta forma, o cirurgião não age diretamente no paciente, evitando possíveis tremores de mãos durante o procedimento, que consequentemente se torna muito mais preciso. Com visão em 3D, o médico fica em um console, manipulando os ‘braços’ do robô.

Outro aspecto positivo é que na cirurgia robótica, por apresentar cortes menores, o paciente sangra menos e tem menor risco de sofrer infecções. Também recebe alta da UTI em menor tempo e é capaz de retomar as atividades cotidianas mais rapidamente. O grande inconveniente é o preço do robô para os hospitais: cerca de R$ 5 milhões.

Paciente
A paciente operada na primeira cirurgia robotizada, de 35 anos de idade, sofria de uma cardiopatia chamada comunicação interatrial. A doença causa cansaço, falta de ar e arritmias e é caracterizada por uma abertura entre os átrios, que permite a passagem do sangue entre eles.

Indicações
A cirurgia cardíaca por robô é indicada para o tratamento de problemas de válvulas cardíacas, algumas cardiopatias congênitas e correção da fibrilação atrial (tipo de arritmia). Para o procedimento, o paciente não pode apresentar nenhuma anormalidade na caixa torácica e deve ter boa circulação periférica.

O sistema robótico
O sistema robótico para cirurgias é integrado por três unidades. A primeira é a mesa de operação com o robô, composto por quatro braços poliarticulados, com flexibilidade de 360° e movimentos precisos. Na ponta de um dos braços há uma câmera que emite imagens em 3D e os outros braços manipulam os objetos cirúrgicos.

A segunda unidade é um console, que foi inspirado nos simuladores de voo. Neste equipamento, os médicos recebem as imagens em 3D de alta definição e realizam os movimentos operatórios com as próprias mãos, que são transmitidos para o robô. A terceira unidade, que completa o sistema, é um conjunto de hardware externo.


Fontes: Folha UOL e Hospital Albert Einstein
Redação: Fátima Pires