A Liga Gay Amazonense de Voleibol, de Manaus (AM), foi reconhecida em 2015 pelo RankBrasil – Livro dos Recordes Brasileiros como a Liga gay de voleibol mais antiga do país. Oficializada em 1992, a entidade tem uma trajetória que começou antes do registro em cartório: segundo o presidente, professor Agenor Peixoto da Silva, seus jogos tiveram início em 1972.A iniciativa surgiu com o objetivo de promover a confraternização esportiva entre homens homossexuais e contribuir para o enfrentamento do preconceito. Ao longo dessa trajetória, o voleibol tornou-se um espaço de convivência, lazer e participação social.
Uma história iniciada em 1972Ao recordar os primeiros encontros, Agenor destacou as dificuldades enfrentadas pelos participantes em um período de menor aceitação da diversidade sexual.
“Os jogos da liga tiveram início em 1972, durante a ditadura militar e na época era tudo feito às escondidas”, relatou.A oficialização em 1992 representou uma etapa posterior dessa história. No relato publicado em 2015, o presidente afirmou que, embora a discriminação ainda existisse, a liga havia conquistado maior aceitação e mantinha sua atuação como entidade filantrópica.
Voleibol e integração entre participantesA liga organizava anualmente campeonatos de voleibol 4x4 em quadra coberta, reunindo aproximadamente 120 pessoas entre atletas, técnicos e auxiliares.
As competições atraíam jogadores do Amazonas e de outros estados, como Ceará, Rio de Janeiro e Pará. Também havia participação de atletas de países como Argentina, Peru e Uruguai, ampliando a integração promovida pelos encontros.Para Agenor, o esporte tinha importância tanto como atividade de lazer quanto como estímulo à autoestima e à participação em uma rotina ativa. O presidente também ressaltava seu papel no afastamento da ociosidade e do uso de drogas.
Uma das tradições dos campeonatos era a representação de países pelas equipes. Cada grupo defendia as cores e a bandeira de uma nação. Na edição de 2014, a equipe que representava o Japão foi a campeã.Atuação social além das quadras
O trabalho da Liga Gay Amazonense de Voleibol incluía iniciativas de informação e solidariedade. A entidade distribuía panfletos e promovia palestras sobre infecções sexualmente transmissíveis.Durante o campeonato, também eram arrecadados alimentos não perecíveis. As doações tinham como destino um abrigo de crianças com deficiências físicas, associando a mobilização esportiva ao apoio a uma instituição social.
Reconhecimentos recebidosEm 30 de novembro de 2012, a liga foi reconhecida como Patrimônio Histórico Esportivo pela Fundação Vila Olímpica de Manaus.
Outro reconhecimento veio em 3 de maio de 2013, quando recebeu a premiação Cidadania em Respeito à Diversidade, na Categoria Esporte, concedida pela APOLGBT – Associação da Parada do Orgulho Gay.O ingresso no RankBrasil – Livro dos Recordes Brasileiros, em 2015, acrescentou um título nacional a essa trajetória. Para Agenor, a conquista valorizava uma iniciativa que enfrentou dificuldades desde sua implantação.
“É um orgulho para todos. Isso mostra o ineditismo de um projeto ousado para a época da implantação, que deu certo”, afirmou.Pessoas que contribuíram para a trajetória
Ao comentar o reconhecimento, o presidente destacou colaboradores que participaram da construção da identidade e da organização da liga.Clenilton Alencar foi o autor da logomarca. O professor João Leite Araújo criou o nome da entidade. Também foram mencionados os professores Ronaldo Pedrosa, vice-presidente; Paulo Fernandes, coordenador de arbitragem; e Daniel Coelho, que esteve na presidência entre 2010 e 2011.
A programação anunciada para 2015Com o tema “Viver e não ter a vergonha de ser feliz”, o campeonato de 2015 tinha realização prevista na Escola Adelaide Tavares de Macedo, no bairro Alvorada I, em Manaus. O espaço comportava 300 pessoas e, segundo Agenor, costumava lotar durante os jogos.
A abertura estava programada para 4 de outubro, às 15 horas, com acendimento da pira, juramento do atleta e palestra do presidente da liga. A cerimônia também previa a execução dos hinos dos países representados pelas equipes.Outra atividade anunciada era a escolha do jogador mais simpático, chamado de “Musa”, com entrega de troféu. A competição tinha encerramento previsto para 19 de dezembro, com troféus, medalhas e premiação em dinheiro para as equipes campeãs.
O reconhecimento nacional destacou uma história iniciada em encontros esportivos de 1972, formalizada em 1992 e construída pela continuidade das competições, pela convivência entre os participantes e pelas ações sociais da Liga Gay Amazonense de Voleibol.