
Nascida em 27 de janeiro de 1887, na cidade de Lorena, São Paulo, foi morar em Taubaté, no mesmo estado, ainda em sua infância.
Neta de escravos, nasceu dois anos antes da Proclamação da República e um ano antes da assinatura da Lei Áurea. Trabalhou a vida inteira como cozinheira e acompanhou diversos outros acontecimentos da história do nosso país.
Para ela, no entanto, o fato mais marcante que presenciou foi a II Guerra Mundial. "Todos viviam se escondendo, com muito medo, foi muito assustador", afirma Maria. Outro fato importante foi a Revolução de 32, em que ficou a par de tudo o que acontecia pelos noticiários do rádio. Segundo ela, foi esse meio de comunicação que norteou a população sobre o que acontecia durante a revolução.Algo também inesquecível na vida da mulher mais velha do Brasil foi estar presente numa festa do escritor Monteiro Lobato.
Maria Benedita nunca pensou que iria chegar os 116 anos e procurou viver da melhor maneira possível. "Nunca penso nisso, gostava de me vestir bem, sair, ir ao cinema, na igreja, não gostava de perder nada", comentou.Nunca se casou. "Homem dá muita amolação, gostava de sossego na vida, e ganhar dinheiro. Estava de casamento marcado, mas larguei o noivo porque me maltratou", comentou.
"Depois conheci um baiano, mas como ele achava que mulher tinha que apanhar, eu também o larguei. Não me arrependo nem um pouco", completa.A cozinheira passou quase a vida inteira analfabeta, só agora aprendeu a ler um pouco, mas tinha muita dificuldade para escrever. Além das letras, relatou que tem outros interesses, como estar em sua própria casa, fazer crochê, bordados, plantar e fazer doces.
No entanto, suas pernas estavam um pouco fracas e a pouca coordenação motora em consequência de sua idade dificultam a realização dessas atividades. "Queria voltar a dançar", ressaltou Maria Benedita.O presidente e responsável pelas Casas Pias, José Regino, diz que Maria Benedita era animadíssima e gostava de participar, com as demais internas, das comemorações festivas da casa. Adorava música e sempre participava das refeições especiais realizadas pelo asilo, como por exemplo, feijoada. Ela também gostava muito de jogar na loteria.
Nota de Falecimento