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Maior Coletânea de Clássicos da Literatura Animados em Libras do Brasil

Maior Coletânea de Clássicos da Literatura Animados em Libras do Brasil

Projeto Clássicos em Libras reúne 14 animações gratuitas para aproximar literatura e inclusão.

Quando: 09/05/2026
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ID: 1729
Maior Coletânea de Clássicos da Literatura Animados em Libras do Brasil
O acesso à literatura também pode nascer pelas mãos. Com essa proposta sensível, educativa e transformadora, o projeto Clássicos em Libras, de São Paulo (SP), entra para o RankBrasil Livro dos Recordes Brasileiros com o título de Maior Coletânea de Clássicos da Literatura Animados em Libras.

A coletânea reúne 14 filmes animados, inspirados em obras clássicas da literatura e histórias conhecidas por diferentes gerações. Entre os títulos adaptados estão Moby Dick, Sítio do Pica-pau Amarelo, Lancelot, A Lebre e a Tartaruga, O Corvo e a Raposa, O Ladrão e o Cão de Guarda, As Moscas e o Pote de Mel, O Leão e o Rato, O Burro que Carregava Sal, Os Três Porquinhos, O Patinho Feio, Chapeuzinho Vermelho, João e o Pé de Feijão e João e Maria.

O primeiro filme foi lançado oficialmente em 9 de maio de 2026, disponibilizado gratuitamente no YouTube e no site oficial do projeto. A proposta é que todo o conteúdo permaneça acessível ao público, permitindo que crianças, jovens, famílias, educadores, estudantes de Libras e a comunidade surda tenham contato com obras importantes da literatura por meio de uma linguagem visual, lúdica e inclusiva.

Mais do que uma coletânea de animações, o projeto nasce com uma missão: levar o interesse pela literatura à juventude e tornar esse conteúdo acessível ao público surdo. A iniciativa reconhece uma realidade ainda presente no Brasil: a dificuldade de encontrar entretenimento de qualidade, pensado com representatividade linguística e cultural para pessoas surdas.

Produção coletiva e acessibilidade
O projeto Clássicos em Libras é composto pela Sociedade Veteranos de 32 – MMDC e pelo Pavy Estúdio. A organização conta com representantes como Carlos Alberto Maciel Romagnoli e Janaína Exposito Pinto. Já a produção dos filmes é realizada pelo Pavy Estúdio, com Paulo Henrique Silva Rodrigues dos Santos, Letícia Mello e diferentes animadores, conforme as características de cada obra.

A interpretação e consultoria em Libras ficam sob responsabilidade da FG Libras, com participação de Gean Barbosa, Fabielle Barbosa e Tatiane Lui Zancanaro. Gean e Fabielle são intérpretes ouvintes com vasta experiência, enquanto Tatiane é professora surda, também com ampla trajetória na área. A presença de profissionais especializados garante maior cuidado na construção da linguagem, na compreensão dos sinais e no respeito à comunidade surda.

O processo de criação envolve estudo das obras, acompanhamento pedagógico, elaboração de roteiro, gravação dos diálogos em Libras e animação baseada nos movimentos dos intérpretes. Após a primeira versão, os vídeos retornam aos profissionais de Libras, que avaliam se os sinais estão compreensíveis. Somente depois dessa validação o episódio é finalizado.

Esse cuidado mostra que a adaptação não é apenas uma tradução. Transformar uma obra literária em Libras exige reconstruir sentidos, respeitar a expressão visual da língua e encontrar caminhos para que personagens, emoções e acontecimentos sejam compreendidos de forma natural pelo público surdo.

Literatura, arte e representatividade
As animações são produzidas em 2D e, em alguns filmes, também em 3D. Além de aproximar o público da literatura, a coletânea busca despertar o interesse pela arte, utilizando diferentes estilos visuais ao longo dos episódios. Essa escolha também traz desafios técnicos, especialmente porque a Libras depende de movimentos expressivos, claros e precisos.

O conteúdo é apresentado em Libras e conta com narração em português, permitindo que pessoas ouvintes e pessoas que ainda não conhecem Libras também acompanhem as histórias. O projeto ainda prevê a inclusão de audiodescrição futuramente, ampliando ainda mais o alcance da acessibilidade.

O projeto se tornou viável graças à emenda parlamentar destinada pelo vereador Adrilles Jorge, com o apoio da Prefeitura de São Paulo.

Uma trajetória ligada à Libras
À frente do Pavy Estúdio está Paulo Henrique Silva Rodrigues dos Santos, animador, ilustrador e autor de livros infantis. Ele também é criador de Min e as Mãozinhas, reconhecido como o primeiro desenho animado em Libras. Sua trajetória com a língua já soma oito anos de produção de animação, entretenimento e projetos ligados à acessibilidade.

A relação de Paulo Henrique com a Libras nasceu de uma experiência pessoal marcante. Em um casamento, ele conheceu uma mulher surda, mas não conseguiu se comunicar com ela. A situação revelou uma falha ainda comum na educação brasileira: a distância entre ouvintes e surdos pela falta de conhecimento da Libras. A partir dessa percepção, ele pesquisou, criou seu primeiro projeto e passou a desenvolver conteúdos voltados à inclusão.

Agora, com o Clássicos em Libras, essa caminhada ganha uma nova dimensão. A literatura, que tantas vezes chega às crianças por livros, narrações e filmes convencionais, passa também a ser apresentada por meio de uma língua visual, viva e legítima.

Conteúdo gratuito e sonho de expansão
A coletânea será acompanhada pelo público principalmente pelo canal oficial no YouTube e pelo Instagram do projeto. A equipe também mantém interesse em apresentar o conteúdo a escolas, instituições, bibliotecas e espaços educacionais, ampliando o impacto social da iniciativa.

Para os realizadores, o grande sonho é que a coletânea cresça ainda mais e leve mais conteúdo de qualidade ao público surdo. A proposta é ver pessoas surdas cada vez mais representadas no entretenimento e com mais acesso a obras importantes da literatura.

Com criatividade, compromisso social e valorização da Libras, o Clássicos em Libras transforma histórias conhecidas em pontes de acesso. Cada animação representa mais do que um episódio: representa o direito de imaginar, aprender, se reconhecer e participar da cultura brasileira com igualdade.

"Reconhecido pelo RankBrasil mediante rigor técnico e imparcial – única autoridade nacional de homologação de recordes desde 1999.”