O RankBrasil homologou a música “Pelo Telefone” como o “Primeiro Samba Gravado no Brasil”, segundo registros da Biblioteca Nacional, criado no ano de 1916, pela dupla Ernesto Joaquim Maria dos Santos, o Donga e Mauro de Almeida.

A primeira composição classificada como samba, “Pelo Telefone” marcou a saída do maxixe para o samba e o início das canções carnavalescas, a partir da popularização do festejo o samba começa a se fixar como gênero musical.

A canção “Pelo Telefone” não ganhou notoriedade apenas por ser o “Primeiro Samba Gravado no Brasil”, mas por haver controvérsias sobre essa afirmação, se tornou também uma de nossas composições mais polêmicas.

Praticamente tudo que é relacionado ao samba é motivo de discussão, a autoria, ser o primeiro samba gravado, a letra, mas isso só contribuiu para adicionar em certo charme a canção.

A música “Pelo Telefone” apresenta uma estrutura simples e fora de ordem, a introdução instrumental é repetida entre algumas de suas partes e cada uma delas tem melodias e refrões diferentes, parecendo que a composição foi feita em partes, juntando melodias escolhidas ao acaso ou retiradas de cantos folclóricos.

A canção “Pelo Telefone” surgiu em uma roda de samba em uma famosa casa, a Casa da Tia Ciata, freqüentada por muitos músicos da época, Donga, Mauro Almeida, João Baiana, Caninha, Sinhô e Pixinguinha, por esse motivo muitos reivindicaram a autoria da composição.

Sua gravação original foi uma versão instrumental na Odeon, Casa Edison, no ano de 1916, pela Banda Odeon, e depois recebeu uma versão de Baiano e coro, pela mesma gravadora.

Redação: Raquel Susin

Pelo Telefone

O Chefe da Folia
Pelo telefone manda me avisar
Que com alegria
Não se questione para se brincar

Ai, ai, ai
É deixar mágoas pra trás, ó rapaz
Ai, ai, ai
Fica triste se és capaz e verás

Tomara que tu apanhe
Pra não tornar fazer isso
Tirar amores dos outros
Depois fazer teu feitiço

Ai, se a rolinha, Sinhô, Sinhô
Se embaraçou, Sinhô, Sinhô
É que a avezinha, Sinhô, Sinhô
Nunca sambou, Sinhô, Sinhô
Porque este samba, Sinhô, Sinhô
De arrepiar, Sinhô, Sinhô
Põe perna bamba, Sinhô, Sinhô
Mas faz gozar, Sinhô, Sinhô

O “Peru” me disse
Se o “Morcego” visse
Não fazer tolice
Que eu então saísse
Dessa esquisitice
De disse-não-disse

Ah! Ah! Ah!
Aí está o canto ideal, triunfal
Ai, ai, ai
Viva o nosso Carnaval sem rival

Se quem tira o amor dos outros
Por Deus fosse castigado
O mundo estava vazio
E o inferno habitado

Queres ou não, Sinhô, Sinhô
Vir pro cordão, Sinhô, Sinhô
É ser folião, Sinhô, Sinhô
De coração, Sinhô, Sinhô
Porque este samba, Sinhô, Sinhô
De arrepiar, Sinhô, Sinhô
Põe perna bamba, Sinhô, Sinhô
Mas faz gozar, Sinhô, Sinhô

Quem for bom de gosto
Mostre-se disposto
Não procure encosto
Tenha o riso posto
Faça alegre o rosto
Nada de desgosto

Ai, ai, ai
Dança o samba
Com calor, meu amor
Ai, ai, ai
Pois quem dança
Não tem dor nem calor





