País mais atingido por raios no mundo

No Brasil são aproximadamente 60 milhões por ano, ou seja, cerca de dois raios por segundo

19/01/2013
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País mais atingido por raios no mundo
Aproximadamente 60 milhões de raios atingem o solo brasileiro por ano - Imagem: divulgação
O Brasil detém o recorde junto ao RankBrasil de País mais atingido por raios no mundo. Entre as explicações estão a grande extensão territorial do país e ao fato de estar próximo do equador geográfico.

Com base em dados de satélite, estima-se que aproximadamente 60 milhões de raios atinjam o solo brasileiro por ano, ou seja, cerca de dois por segundo. Isto equivale a uma média de aproximadamente sete raios por quilômetro quadrado ao ano.

As informações são do Grupo de Eletricidade Atmosférica (Elat), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que é vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, do Governo Federal.

De acordo com levantamento realizado pelo Elat, através de dados obtidos entre 1998 e 2011, Porto Real, no Rio de Janeiro é a cidade brasileira mais atingida por raios: para cada quilômetro quadrado do município, caem 19,66 raios por ano. Em segundo aparece Ewbank da Câmara – MG, com 19 raios, seguido por Matias Barbosa – MG, com 18,49.

Entre as capitais, a campeã é Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, com 14 raios por km2/ano. A segunda colocação é de Manaus – AM, com 13 raios por km2/ano, e em terceiro lugar está Belém – PA, também com 13. O relatório completo da relação entre raios e municípios do Brasil pode ser obtido clicando aqui.

Relâmpago e raio
Relâmpago é uma corrente elétrica muito intensa que ocorre na atmosfera. É uma consequência do rápido movimento de elétrons de um lugar para outro: os elétrons se movem tão rápido que fazem o ar ao seu redor se iluminar, resultando em um clarão, e se aquecer, o que acarreta em um som (trovão). Quando a descarga se conecta ao solo é chamada de raio.

No mundo
Em todo o mundo, cerca de 50 a 100 relâmpagos ocorrem a cada segundo, o equivalente a aproximadamente cinco a 10 milhões por dia ou em torno de um a três bilhões por ano. Os relâmpagos ocorrem principalmente no verão, devido ao maior aquecimento solar, embora aconteçam em qualquer período do ano.

A maioria é observada sobre os continentes e em regiões tropicais. As principais regiões de ocorrência são o Brasil (exceto no Nordeste), a região central e o sul da África, o sul da Ásia, a região sul dos Estados Unidos, o norte da Argentina, a ilha de Madagascar, a Indonésia e a região norte da Austrália.




Capitais mais atingidas por raios
lugar capital UF raios por
km2/ano
1°. Campo Grande MS 14
2°. Manaus AM 13
3°. Belém PA 13
4°. Palmas TO 12
5°. São Paulo SP 11
6°. Cuiabá MT 11
7°. Goiânia GO 7
8°. Curitiba PR 7
9°. Belo Horizonte MG 7
10°. Porto Velho RO 7
Aumento da ocorrência
Estudos mostram que a ocorrência de relâmpagos tem aumentado sobre grandes áreas urbanas. Acredita-se que este efeito esteja relacionado à poluição sobre estas regiões e ao aquecimento provocado pela alteração do tipo de solo e a presença de prédios e elementos que alteram a temperatura local.

Conforme o Elat, a temperatura média do planeta Terra aumentou 0,5°C no século XX, em decorrência da emissão de enormes quantidades de gases (principalmente gás carbônico), associada à atividade humana. No século XXI, a tendência é de um acréscimo de 2 a 4° C. Estima-se que para cada grau de aumento de temperatura, aumente de 10% a 20% o número de relâmpagos no planeta.

No Brasil, o aquecimento das águas do oceano Atlântico em curso, relacionada ao aquecimento global poderá ter implicações sobre a incidência de raios no país. Fenômenos climáticos como o El Niño e a La Niña também podem afetar a ocorrência de raios.

Cidades mais atingidas por raios
lugar município UF raios por
km2/ano
1°. Porto Real RJ 19,66
2°. Ewbank da Câmara MG 19
3°. Matias Barbosa MG 18,49
4°. Quatis RJ 18,43
5°. Valença RJ 18,28
6°. Belmiro Braga MG 17,66
7°. Passa-Vinte MG 17,43
8°. Juiz de Fora MG 17,38
9°. Chácara MG 17,28
10°. Garruchos RS 17,07

Vítimas fatais
Dados do Elat mostram que entre os anos de 2000 e 2009, os raios fizeram no Brasil 1.321 vítimas fatais. Entre as circunstâncias das mortes estão: 9% em campo de futebol, 14% no transporte, 2% ao telefone, 9% em coberturas diversas, 12% dentro de casa, 1% próximo à cerca, 12% embaixo de árvore, 19% em atividades de agropecuária, 7% na praia e 15% outros.

Em relação ao mundo, a cada 50 mortes por raios, uma é no Brasil. São cerca de 130 vítimas fatais e mais de 200 feridos por ano, um prejuízo anual na ordem de um bilhão de reais no país. Ainda de acordo com o Elat, 80% das circunstâncias em que acontecem mortes por raios podem ser evitadas se as pessoas souberem como se proteger.

Serviço de alerta
O Elat possui um Núcleo de Monitoramento de descargas atmosféricas que funciona 24 horas por dia, durante os sete dias da semana. O objetivo é prestar serviços de alerta da incidência de raios para uma determinada região, com o intuito de proteger pessoas que exercem atividades ao ar livre. O serviço é disponível para todo o país e o alerta é enviado via telefone fixo, celular e/ou email. Mais informações podem ser obtidas clicando aqui.

Proteção pessoal durante tempestades
– Se possível, não saia para a rua ou não permaneça na rua, a não ser que seja absolutamente necessário;

– Se estiver na rua, procure abrigo em veículos metálicos não conversíveis, em moradias ou prédios, em abrigos subterrâneos, e em barcos ou navios metálicos fechados;

– Ainda se estiver na rua, evite: segurar objetos metálicos longos, tais como varas de pesca e tripés, empinar pipas e aeromodelos com fio, e andar a cavalo;

– Se estiver dentro de casa, evite: usar telefone com fio ou celular ligado a rede elétrica, ficar próximo de tomadas e canos, janelas e portas metálicas, e tocar em qualquer equipamento ligado à rede elétrica;

– Se possível, evite: pequenas construções não protegidas (como tendas ou barracos), veículos sem capota, e estacionar próximo a árvores ou linhas de energia elétrica;

– Também é importante evitar: topos de morros ou cordilheiras, topos de prédios, áreas abertas (como campos de futebol), estacionamentos abertos e quadras de tênis, proximidade de cercas de arame, linhas aéreas e trilhos, proximidade de árvores isoladas, e estruturas altas (como torres);

– Se você estiver em um local sem abrigo e sentir que seus pelos estão arrepiados ou sua pele começar a coçar, fique atento: isto pode indicar a proximidade de um raio. Neste caso, ajoelhe-se e curve-se para frente, colocando suas mãos nos joelhos e sua cabeça entre eles. Não fique deitado.

Importante saber
– A luz produzida pelo raio chega quase que instantaneamente à visão de quem o observa. Já o som (trovão) demora um bom tempo, pois a sua velocidade é menor;

– Para obter a distância aproximada em quilômetros, basta contar o tempo (em segundos) entre o momento que se vê o raio e se escuta o trovão, e dividir por três;

– Um trovão dificilmente pode ser ouvido se o raio acontecer a uma distância maior do que 20 quilômetros;

– Um raio, composto por várias descargas, pode durar até dois segundos, embora em geral a ocorrência é de cerca de meio a um terço de segundo. No entanto, cada descarga que compõe o raio dura apenas frações de milésimos de segundo;

– A intensidade típica de um raio é de 30 mil ampéres, cerca de mil vezes a intensidade de um chuveiro elétrico;

– Um raio pode cair duas vezes em um mesmo lugar, quando este local apresentar grande incidência de raios;

– A chance de uma pessoa ser atingida diretamente por um raio é muito baixa, sendo em média menor do que um para um milhão, mas se a pessoa estiver em área descampada e embaixo de uma tempestade forte, a chance pode aumentar em até um para mil;

– O raio pode causar queimaduras e outros danos a diversas partes do corpo. A maioria das mortes de pessoas atingidas por raio é causada por parada cardíaca e respiratória.


Fontes: Inpe e Revista Exame
Redação: Fátima Pires