Primeira mulher paraquedista do Brasil

Recorde é de Rosa Schorling, que fez seu primeiro salto em 08 de novembro de 1940, na Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro

22/02/2013
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Primeira mulher paraquedista do Brasil
Recordista Rosa Schorling é um exemplo de coragem - Imagem: Marcelo Naddeo
A Primeira paraquedista do país, que entra para o RankBrasil em 2013, é a capixaba Rosa Helena Shorling Albuquerque, também conhecida como Rosita.

Ela entrou para a história em 08 de novembro de 1940, exatamente às 11h45, durante provas da Semana da Asa, que estabeleceu salto de paraquedas para voluntários.

Esbanjando coragem, Rosita se inscreveu à demonstração livre e espontânea, realizando o desafio com êxito absoluto.

O salto aconteceu na Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro, a uma altura de mil metros, pulando de um avião Belanca (asa alta). O paraquedas utilizado era de fabricação Switlich, dos Estados Unidos. À época, o equipamento era novidade no Brasil, mesmo para homens.

A demonstração de Rosita foi assistida por milhares de pessoas, entre autoridades, civis, militares e eclesiásticos. A imprensa de todo o país teceu louvores à pioneira, com amplas reportagens ilustradas, além de seu retrato estampado em capas das principais revistas.

Sem treinamento
A recordista não teve treinamento para realizar o primeiro salto. Pelo contrário, seu instrutor de pilotagem, que era o comandante Gratuliano Ximenes de Oliveira, falou que não se responsabilizava pelo feito. A orientação que recebeu foi saltar de cabeça para baixo, contar de um a dez de olhos fechados e puxar a alça do paraquedas.

Escola de Paraquedistas
Em 1949 – nove anos após o salto pioneiro – era fundada a Escola de Paraquedistas do Exército, no Rio de Janeiro. Depois de oito meses de treinamento, Rosita recebeu seu brevê de paraquedista em 29 de Outubro de 1950. Durante o tempo que esteve na escola, realizou 136 saltos de treinamento, nas mais diversas modalidades.

História de vida
Filha de um alemão com uma austríaca, a recordista nasceu em 15 de julho de 1919, em São Paulo de Biriricas, município de Cariacica – ES. Com apenas quatro meses de idade, passou a residir em Domingos Martins, no mesmo Estado.

Entre os anos de 1929 e 1936, ela estudou no Colégio Nossa Senhora Auxiliadora (Colégio do Carmo), em Vitória – ES, obtendo diploma de professora, depois de ter feito cursos de pintura, datilografia, estenografia, economia e prendas domésticas.

Em meio a uma família com recursos financeiros, durante as férias escolares, ela aprendeu a nadar em piscina, a patinar, andar de bicicleta, motocicleta, automóvel e até caminhão. Em 29 de março de 1932, com apenas 12 anos de idade, após exames teóricos e práticos, Rosita foi a primeira mulher do Espírito Santo a receber a carteira de motorista profissional.

Em 11 de junho de 1933, tirou a carteira de motociclista. Entre os anos de 1932 e1933 sentiu interesse pela aviação, demonstrando vontade de pilotar aeronaves. Em 14 de junho de 1939, aos 19 anos, o Aero-Clube do Brasil lhe conferiu o brevê de piloto-aviadora. Ao se inscrever na Federação Aeronáutica Internacional, ela se tornou a primeira aviadora do Espírito Santo.

Com a morte do pai em 1955, Rosita retornou para a casa da mãe, em Domingos Martins, recomeçando a lecionar. Entre 1963 e 1967, foi diretora de escola e mais tarde, nomeada delegada de ensino. Em 1960 se casou com o tenente reformado do Exército, Raymundo Mendes Albuquerque, com quem teve um filho (falecido com apenas cinco anos). Atualmente, aos 93 anos de idade, a pioneira reside no mesmo município e esbanja vitalidade.

Livro
O livro-reportagem ‘Rosa Helena Schorling: Além da Folha Vento’ descreve as aventuras da primeira paraquedista do Brasil, com fatos e feitos históricos. A obra é do jornalista Fabrício Fernandes e foi lançada em janeiro de 2012, pela Editora da Universidade Federal do Espírito Santo.


Fontes: G1 Espírito Santo e Revista TPM
Redação: Fátima Pires