Corrida do Oiapoque ao Chuí em menos tempo

Em 100 dias, Carlos Dias percorreu 11 estados brasileiros, entrando para o RankBrasil

14/02/2008
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Corrida do Oiapoque ao Chuí em menos tempo
O ultramaratonista Carlos Dias, 35 anos, natural de São Bernardo do Campo – SP percorreu em 100 dias nove mil quilômetros, entre o Oiapoque - AP e o Chuí - RS. Pela façanha, ele entrou para o RankBrasil em 2008, com o recorde de Corrida do Oiapoque ao Chuí em menos tempo.

Com uma bandeira do Brasil nas mãos e uma mochila pesando, em média, oito quilos nas costas, o ultramaratonista correu 14 horas por dia, a uma velocidade entre oito e nove quilômetros por hora. Diariamente foram 90km, com pausas de 15 a 20 minutos a cada três horas, para se alimentar e repor carboidratos.

Ao todo, Carlos correu 11 estados brasileiros: Amapá, Pará, Tocantins, Goiás, Bahia, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Ele passou por todos os tipos de vegetação, clima e cultura. A temperatura mais alta foi 41 graus, em Palmas - TO e a mais baixa quatro graus, no Rio Grande - RS.

A distância percorrida pelo ultramaratonista equivale a que separa o Rio de Janeiro de Londres - Inglaterra. Desde que começou a correr há 14 anos, calcula já ter percorrido, entre treinos e competições, quase 120 mil km, o equivalente a dar três voltas na terra.

O atleta sempre participou de provas com distâncias superiores a 42 km, o que o coloca em um seleto grupo de ultramaratonistas do Brasil e do mundo.

Apoio
Carlos começou o desafio sem apoio e levou na mochila vitaminas, soro, comida desidratada, purê de batata, barra de cereal, castanhas, kit de primeiros socorros, dois pares de tênis, uma rede, lanterna de cabeça e de mão.

Também carregou saco estanque para proteção de roupas e materiais eletrônicos, celular, máquina digital, apito, cobertor térmico e muitos cartões telefônicos. Toda essa bagagem foi suficiente para manter o atleta por 40 dias.

No decorrer da prova, o recordista recebeu ajuda da comunidade em geral, prefeituras, quartéis, polícia rodoviária federal, exército, empresas privadas, IBAMA, aldeias indígenas e escolas. “Dormi em todos os lugares: posto de gasolina, posto de saúde, motéis, hotéis, pousadas, quartéis, quadras de esporte, ponto de ônibus, etc., mas valeu a pena”, lembra.

Ele ainda recebeu o apoio da empresa norte-americana Crocs, que colaborou com todo o material esportivo e um valor em dinheiro; a Impec, com as passagens de São Paulo ao Amapá; entre outros colaboradores.

Para ter uma margem de erro e nada sair errado, o atleta calculou 120 dias para realizar o trajeto. "Planejei completar o percurso em 110 dias, coloquei mais 10 como margem de segurança, mas consegui escolta do exército. Além disso, atletas populares correram comigo em alguns momentos e em muitos dias consegui correr durante a noite, adiantando o roteiro”, explica.

Treinamento
Os treinos de preparação física do ultramaratonista são baseados na resistência. Duas vezes por semana o recordista realiza um percurso de 60km na Serra da Cantareira e na Rodovia dos Imigrantes, sem pausas. Nos outros três dias faz cerca de 40km pelas ruas de Santo André, São Bernardo do Campo e São Caetano do Sul, sempre no Estado de São Paulo.

Incentivo
Em 2007 o recordista estava desempregado e organizando corridas. Foi quando seu filho Vinícius nasceu e o encheu de entusiasmo e coragem para por em prática seu sonho: percorrer o Brasil de Norte a Sul.

Agradecimentos
Pelo recorde, Carlos agradece à sua mãe Neli Lima Dias "pela torcida e por acreditar que eu conseguiria". Também agradece ao seu treinador Herói Fung, Luiz Lacerda, "que correu 340km até o Chuí, no momento mais duro do desafio".

O recordista ainda agradece ao filho Vinícius Dias, "por ter nascido e me motivado a buscar esse sonho", a Monique Daniela, "que cuidou de nosso filho enquanto eu corria", e a Deus, "por me proteger no caminho”.

Prêmio
Segundo Carlos, um dos maiores prêmios que conquistou com o desafio foi um emprego no Grupo Foco. "Depois que a presidente do grupo, Eline Kullock e o vice-presidente Adriano Araújo conheceram minha história, decidiram que uma das vagas de emprego seria minha. Agradeço muito a todos".

Provas que já participou
> Grécia
> Deserto de Gobi, na China
> Deserto do Arizona, nos Estados Unidos
> Maratona da Selva, na Amazônia, em distâncias de 250 km
> Mil milhas brasileiras, Porto Segura a São Bernardo do Campo, em 22 dias


Redação: Raquel Susin
Revisão: Fátima Pires