Primeiro brasileiro a receber pulmões recondicionados

Recorde é do caminhoneiro Matheus de Moura, que passou pela técnica inédita no país em março de 2012

20/12/2012
5674 Acessos
Imprimir
Primeiro brasileiro a receber pulmões recondicionados
Matheus de Moura foi personagem de um transplante inédito no país - Imagem: Estadão
O caminhoneiro Matheus de Moura, que entra para o RankBrasil, foi o primeiro brasileiro a receber pulmões recondicionados, em um transplante inédito no país.

A cirurgia aconteceu no dia 02 de março de 2012, no Instituto do Coração (Incor), do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).

Técnica criada há cerca de quatro anos, na Suécia, o recondicionamento de pulmão torna aptos para a cirurgia órgãos que antes eram contra-indicados, devido ao excesso de líquido em seus tecidos. Desta forma, o procedimento recupera o pulmão, devolvendo ao órgão já debilitado a capacidade de oxigenar o sangue.

Para a cirurgia, a equipe do Incor passou dois anos treinando. Eles recondicionaram cerca de 30 órgãos, embora nesta fase não foram transplantados. Com a nova técnica, a expectativa é de que o número de transplantes de pulmão no Instituto aumente dos então 30 procedimentos por ano para em torno de 45 a 60.



O paciente
Aos 27 anos de idade, Matheus de Moura, de Itajubá – MG, começou a perder o fôlego, sendo que de uma hora para outra, ao menor esforço, ele ficava com a face arroxeada. O paciente havia desenvolvido fibrose pulmonar, uma doença que endurece e atrofia os pulmões.

Em decorrência da doença, precisou deixar o trabalho pesado e nos meses que antecederam a cirurgia, já não conseguia andar e nem tomar banho sozinho. Com 31 anos de idade, o caminhoneiro conseguiu sair da fila de transplantes – depois de dois anos de espera, recebendo pulmões recuperados.

A técnica
O órgão doado é retirado em bloco (os dois pulmões e parte da traqueia) e ligado a um tubo por onde é injetada uma solução, dentro de uma máquina. Essa solução, mais densa do que o líquido que congestiona os pulmões, circula pelos vasos e atrai esse líquido pelo processo químico da osmose. Ao final do processo, que pode levar de duas a seis horas, o pulmão recupera a capacidade de oxigenar o sangue e está pronto para ser implantado.

Redução da fila de transplante
A cirurgia de recondicionamento é uma grande esperança para reduzir a fila de transplante de pulmão. O órgão é o que mais rapidamente se degenera nos pacientes com morte cerebral, por isto a dificuldade de captação.


Fontes: Revista Veja, Estadão, Incor e O Globo Saúde
Redação: Fátima Pires